Diversidade nos cargos de liderança: é possível?

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Não há como negar: os indicadores de diversidade mostram um aumento na representatividade entre os funcionários do mundo corporativo. Longe do ideal, é verdade, mas é algo que deve ser celebrado. Porém, ao analisar o topo da hierarquia das corporações, o cenário não é o mesmo. Sim, falta ainda mais inclusão.

Os números nos cargos de liderança

De acordo com o Instituto Ethos, as mulheres são pouco mais de 10% em posições de conselho. Ao excluirmos as herdeiras, esse número cai ainda mais.

Ao levar o foco para a raça, esse número também é negativo: os negros não chegam a 5% dos cargos de direção, apesar de 54% dos brasileiros se reconhecerem assim, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E a realidade não é diferente entre as pessoas com alguma deficiência e com as pessoas trans. Muito pelo contrário, a maioria das pessoas com deficiência seguem sendo contratadas por conta da legislação que exige essa ação por parte das empresas.

Já a representação de pessoas trans nos altos cargos corporativos é praticamente inexistente. Pergunte a si mesmo: quantas pessoas trans você conhece que está à frente de uma empresa?

De acordo com uma pesquisa do Grupo Santo Caos, 33% das empresas brasileiras não contratam membros da comunidade LGBTQIA+ para cargos de chefia.

E isso pode ser contraproducente. Uma pesquisa feita pela Wisconsin LGBT Chamber of Commerce mostrou que as empresas que dedicam suas diretorias para as pessoas desse recorte social performam 61% melhor do que as outras. Mais uma vez, inclusão traz resultados.

E por que a inclusão é relevante?

Diante dos desafios que foram trazidos ao debate em 2020, foi praticamente consenso que o mundo empresarial precisaria de união e de inovação. A união, por incrível que pareça, trabalha justamente as nossas diferenças. Porque para trabalharmos em equipe e com harmonia, precisamos abraçar as diferenças, principalmente quando estamos em organizações, em empresas que buscam o sucesso no mercado.

Assim, somente as organizações que se sobressaem nesse desafio de abraçar o diferente e conviver em harmonia, consegue ter bons resultados, conseguem se destacar no mercado. Por isso, as empresas que incentivam a diversidade, os diferentes modos de pensar e a inclusão estimulam também as grandes ideias.

As grandes ideias, por sua vez, estão recorrentemente associadas à inovação. E esse é um objetivo mútuo do mundo privado e também do universo público. Por quê? Porque para resolver novos obstáculos, novas soluções são necessárias. Uma equipe heterogênea vai, com mais facilidade, aumentar as chances de resolver problemas complexos com as tão desejadas ideias fora da caixa.

As pessoas são mais inclinadas a aprender uma com as outras quando as habilidades são somadas. Mais pontos de vista, mais características. Com isso, mais chances de suprir as necessidades do cliente. Um estudo feito pela McKinsey apontou que as empresas que adotam essa política e investem em diversidade, aumentam em 21% as chances de ter lucro acima da média.

É aquele velho ditado: se quiser chegar rápido, vá sozinho. Se quiser chegar longe, vá acompanhado. De preferência, vá com uma equipe diversa, com diferentes qualidades e atributos.

Os principais benefícios da diversidade nas empresas

Ter uma equipe com pessoas de diferentes backgrounds cria um bom clima organizacional. Com isso, as pessoas trabalham mais felizes e produzem mais. O colaborador vai se identificar com outro colega de trabalho e se sentir apreciado na instituição.

Se um negro ocupa um cargo de chefia, os outros negros da equipe vão enxergar que a empresa investe em todas as pessoas da equipe, sem preconceitos. Dessa maneira, o índice motivacional estará sempre em alta.

A troca de conhecimentos e informações também flui de forma mais fácil. O resultado é mais aprendizado entre os colaboradores, criando uma cultura de gestão e solução de problemas através dessa transferência de experiências. A equipe se torna cada vez mais dinâmica, sempre atualizada e pronta para o próximo desafio.

Ao se posicionar a favor da diversidade, praticando ações de inclusão, esses valores aparecem para a sociedade, para o mercado, para os concorrentes, consumidores, fornecedores e para os talentos em busca de trabalho.

Esses profissionais vão olhar para a empresa com admiração. No fim, é também uma campanha de marketing para o processo de recrutamento. Os melhores candidatos saberão onde eles querem trabalhar. A empresa vai se tornar uma lovemark, uma marca que gera ótimos níveis de confiança para o público.

Por onde começar?

Os atuais líderes devem estar engajados nesse objetivo, pois precisam desenvolver comportamentos e procedimentos entre os funcionários para que eles estejam cientes da necessidade de gerar valor para a empresa e, aos poucos, garantir uma posição de liderança.

O que isso significa? Bom, de início, fazer esforços para que todas as pessoas, de todas as raças, etnias, gêneros, religiões e experiências de vida se sintam representadas naquele grupo. O ano de 2020, talvez, seja o momento em que esse debate esteja mais em foco na história recente. E é por isso que talvez seja a hora perfeita para promover ativamente esses princípios.

Ser o primeiro nessas atitudes é importante, mas precisa ser algo genuíno. Não pode ser só pela imagem. Precisa ser uma crença de todos que fazem aquela empresa acontecer. E, principalmente, de cima para baixo na cadeia hierárquica.

Para introduzir pessoas diferentes do padrão normativo nos cargos de liderança:

  • Busque realizar treinamentos sobre as políticas de diversidade.
  • Invista em práticas inclusivas de recrutamento e planos de desenvolvimento para os membros das diversas comunidades.
  • Crie programas de apoio a esses grupos e forneça um ambiente saudável.
  • Construa um banco de profissionais que estejam preparados para assumir essas vagas de liderança. Se não for agora, tenha sempre eles em mente para futuras oportunidades.
  • Conheça quem está ao redor, converse com eles, e faça disso um trabalho em equipe.

Pesquisas tipo censo também podem ser uma boa ideia para o primeiro passo, conhecer a equipe inteira e suas características pessoais. Essa iniciativa é fundamental para motivar e inspirar os membros das comunidades que estão começando.

São políticas que precisam ser iniciadas, mas que criam suas próprias pernas com o passar do tempo. Se torna cultura organizacional e, aos poucos, estará entrelaçada diretamente com a personalidade da empresa. Um ambiente diverso, democrático, eficiente e, o mais importante, que traz ótimos resultados. Esse é o futuro que os espera.

Conclusão

A diversidade e inclusão no mundo corporativo é um assunto quente, que está sendo debatido pelas pessoas de dentro e fora do mercado. É urgente, pois trata da vida de muitas pessoas, de eficiência empresarial e também de resultados financeiros e de imagem.

Apesar da diversidade começar a aparecer no quadro de colaboradores, ela ainda não consegue alcançar principais cargos hierárquicos. E os estudos mostram que isso não é uma boa estratégia. As organizações que conseguem esse objetivo performam melhor, lucram mais.

As empresas que genuinamente querem caminhar nessa direção, precisam investir em práticas inclusivas, em capacitação e desenvolvimento e, principalmente, acreditar nessa filosofia. São atitudes que vão causar um verdadeiro choque na forma como a sociedade vai enxergar a sua empresa. Os melhores talentos do mercado vão ter o sonho de trabalhar aí.

Nem toda pessoa pode ser um bom líder, mas um bom líder pode vir de qualquer pessoa. Podemos começar tratando-as de maneira igualitária e conceber as mesmas oportunidades.

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